terça-feira, 6 de julho de 2010

CONVIVÊNCIA...






São Paulo das madrugadas loucas.



Dias ardentes em suas ruas sujas; os carros desgovernados e o sangue que jorra das vítimas do trânsito, os carros perdidos, as balas perdidas.

Fraturas nas ruas, sangue tatuado no asfalto, mistura de sangue e óleo. Chove, passa carro, some.

Capacetes voam, estilhaços dos carros e motos, e mais uma morte.

Viseira ensangüentada, faróis quebrados, motos retorcidas, vias interditadas.

Caminhões monstros, carretas e ônibus.

Carros que voam, cegam e matam.

Parabéns a todas as árvores da cidade. A todas as praças e parques.

Ladeiras, ladeiras.

São Paulo dos Paralelepípedos.

Cachaça aos mendigos.

Bolo de quatrocentos e cinqüenta e cinco metros.

Bolo do subúrbio; bem feito bolo do subúrbio. É quase meio quilometro de bolo.

É bolo pa carai. É bolo pra São Paulo!!

São Paulo de Piratininga.

Acendam as velas.

Parabéns pra você Paulistana cidade.

Paulistanas maravilhosas, paulistanas, paraibanas, pernambucanas, baianas e sergipanas.

Quero uma de cada, quatrocentos e cinqüenta e cinco anos.

Quatrocentos e cinqüenta e cinco mulheres.

Viva todoas.

Todos e todas juntos. Todoas!!

Viva os Battletoads.

Viva Las Vegas, viva Brasil, São Paulo, Itaquera.

São Paulo de Itaquera, São Paulo de Ibirapuera.

Pau Podre, cidade Podre e Anhanguera.

Araçás, Pinheiros, mandaquis.

Penhas e tatuapés, grajaus, cambucis.

São Paulo de todos os santos e tribos, povos e culturas.

Aqui tudo tem e tudo pode, e o que não pode, pode mesmo assim.

Monumentos e arranha céus.

Helicópteros e ferraris, vôos internacionais, convenções internacionais.

Esporte, lazer, consumo e luxo.

Miséria, violência, loucura e assaltos.

Acidentes, chacinas e tiroteios.

Festas, shows, concertos e peças.

Teatro, música, arte e medicina.

Os primeiros e os últimos, ricaços e mendigos.

Prostitutas e artistas famosos.

Grifes e moda, grana e negócios.

Tráfego e tráfico, acidente demográfico.

O mundo e o fim do mundo.

Dubai e Uganda.

Camboja e Suíça.

Japão e China, Fortaleza e Teresina.

Tudo e nada, todos e ninguém.

Muito e pouco, trabalho e crime.

Moradores de rua e hotéis luxuosos.

Casas vazias, casas cheias de água.

Enchentes, acidentes.

Muito bom e excelente.

Assim é São Paulo da gente, metrô lotado e um motorista solitário e impaciente com seu carro de sete lugares.

Lugares loucos e lindos, lugares feios e esquecidos.

Mulheres lindas, gente feia, crianças abandonadas.

É tanta coisa. E minha relação de amor e ódio com essa cidade e seus elementos.

São as alegrias e as vitórias e derrotas e lamentos, tormentos...

Assassinatos e atropelamentos, a todo instante.

Meio milhão de motocicletas.

Seis milhões de carros. Nove milhões de pedestres.

Saiam as ruas. Abracem essa cidade. A prisão e a liberdade. O desejo e a vontade; a beleza e a maldade.

O melhor e o pior está aqui, mesmo não tendo praia, nem cachoeira.

Ao menos um rio limpo. Nada. Poluição total. Estresse.

A calmaria de um parque ou uma praça na periferia.

Jardins da periferia. Periferia dos jardins, centro, áreas nobres...

Meus parabéns pelas mil e quatrocentas escolas.

Bibliotecas, universidades e grandes hospitais.

Museus e centros de lazer.

Clubes e represas. Empresas.

Por todas as belezas e incertezas dessa cidade.

Quatrocentos e cinqüenta e cinco anos em atividade;

A cidade não para...

A cidade não dorme!!




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