
São Paulo das madrugadas loucas.
Dias ardentes em suas ruas sujas; os carros desgovernados e o sangue que jorra das vítimas do trânsito, os carros perdidos, as balas perdidas.
Fraturas nas ruas, sangue tatuado no asfalto, mistura de sangue e óleo. Chove, passa carro, some.
Capacetes voam, estilhaços dos carros e motos, e mais uma morte.
Viseira ensangüentada, faróis quebrados, motos retorcidas, vias interditadas.
Caminhões monstros, carretas e ônibus.
Carros que voam, cegam e matam.
Parabéns a todas as árvores da cidade. A todas as praças e parques.
Ladeiras, ladeiras.
São Paulo dos Paralelepípedos.
Cachaça aos mendigos.
Bolo de quatrocentos e cinqüenta e cinco metros.
Bolo do subúrbio; bem feito bolo do subúrbio. É quase meio quilometro de bolo.
É bolo pa carai. É bolo pra São Paulo!!
São Paulo de Piratininga.
Acendam as velas.
Parabéns pra você Paulistana cidade.
Paulistanas maravilhosas, paulistanas, paraibanas, pernambucanas, baianas e sergipanas.
Quero uma de cada, quatrocentos e cinqüenta e cinco anos.
Quatrocentos e cinqüenta e cinco mulheres.
Viva todoas.
Todos e todas juntos. Todoas!!
Viva os Battletoads.
Viva Las Vegas, viva Brasil, São Paulo, Itaquera.
São Paulo de Itaquera, São Paulo de Ibirapuera.
Pau Podre, cidade Podre e Anhanguera.
Araçás, Pinheiros, mandaquis.
Penhas e tatuapés, grajaus, cambucis.
São Paulo de todos os santos e tribos, povos e culturas.
Aqui tudo tem e tudo pode, e o que não pode, pode mesmo assim.
Monumentos e arranha céus.
Helicópteros e ferraris, vôos internacionais, convenções internacionais.
Esporte, lazer, consumo e luxo.
Miséria, violência, loucura e assaltos.
Acidentes, chacinas e tiroteios.
Festas, shows, concertos e peças.
Teatro, música, arte e medicina.
Os primeiros e os últimos, ricaços e mendigos.
Prostitutas e artistas famosos.
Grifes e moda, grana e negócios.
Tráfego e tráfico, acidente demográfico.
O mundo e o fim do mundo.
Dubai e Uganda.
Camboja e Suíça.
Japão e China, Fortaleza e Teresina.
Tudo e nada, todos e ninguém.
Muito e pouco, trabalho e crime.
Moradores de rua e hotéis luxuosos.
Casas vazias, casas cheias de água.
Enchentes, acidentes.
Muito bom e excelente.
Assim é São Paulo da gente, metrô lotado e um motorista solitário e impaciente com seu carro de sete lugares.
Lugares loucos e lindos, lugares feios e esquecidos.
Mulheres lindas, gente feia, crianças abandonadas.
É tanta coisa. E minha relação de amor e ódio com essa cidade e seus elementos.
São as alegrias e as vitórias e derrotas e lamentos, tormentos...
Assassinatos e atropelamentos, a todo instante.
Meio milhão de motocicletas.
Seis milhões de carros. Nove milhões de pedestres.
Saiam as ruas. Abracem essa cidade. A prisão e a liberdade. O desejo e a vontade; a beleza e a maldade.
O melhor e o pior está aqui, mesmo não tendo praia, nem cachoeira.
Ao menos um rio limpo. Nada. Poluição total. Estresse.
A calmaria de um parque ou uma praça na periferia.
Jardins da periferia. Periferia dos jardins, centro, áreas nobres...
Meus parabéns pelas mil e quatrocentas escolas.
Bibliotecas, universidades e grandes hospitais.
Museus e centros de lazer.
Clubes e represas. Empresas.
Por todas as belezas e incertezas dessa cidade.
Quatrocentos e cinqüenta e cinco anos em atividade;
A cidade não para...
A cidade não dorme!!
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